Somos Todos Esquisitos!?

A expressão “WEIRD”, que em inglês significa “esquisito”,

é usada ironicamente como sigla para “Ocidental, Educado, Industrial, Rico e Democrático” (Western, Educated, Industrialized, Rich, And Democratic, no original).

Quem levantou essa bola foi o pessoal da Psicologia, contudo nas Ciências do Movimento a história não é muito diferente. A reflexão que devemos fazer é sobre 96% dos os participantes de pesquisas científicas em comportamento se encaixam nessa categoria. Além disso 68% são estadunidenses e a maioria alunos de graduação (visto a proximidade destes últimos com o ambiente acadêmico onde a maioria das pesquisas são feitas).

A imagem à esquerda é uma simulação computadorizada que representa o homem estadunidense médio, construído a partir de dados antropométricos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos entre os anos de 2007 e 2010.

O problema é que tal amostra enviesada acaba servindo como fundamento para alegações científicas feitas sobre a natureza humana. Será que a espécie humana realmente está bem representada por ocidentais-estadunidenses-graduandos?

Como estabelecer parâmetros de “normalidade” do que seria ou não normal, saudável ou patológico, quando os participantes dos estudos foram e são influenciados pelos hábitos culturais contemporâneos e pelo nosso modo de vida?

Parece que o comum na pesquisa científica é que a amostra enviesada seja o próprio padrão… Portanto, devemos ser muito comedidos com as conclusões que tiramos de estudos. Apenas com uma visão evolutiva e antropológica podemos vir a ter uma noção mais realista da espécie humana.

Referência

Henrich J, Heine SJ, Norenzayan A. The weirdest people in the world? Behavioral and Brain Sciences; 33(2-3):61-83, 2010.

Para entender melhor qual seria em escala de tempo o nosso “padrão humano” assista a este vídeo

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