Libertação Biomecânica da Articulação do Ombro

As Libertações Biomecânicas correspondem a etapas da Evolução humana nas quais movimentos foram conquistados para lidar com diferentes necessidades de se movimentar em diferentes ambientes.

A teoria chave da FBA

 

São ao menos 13 diferentes, como, por exemplo, a necessidade de se locomover no ambiente terrestre. Foi esta pressão evolutiva responsável por libertar em nossos ancestrais as articulações do ombro, coxofemoral, cotovelo e joelho, a fim de aumentar a eficiência de locomoção em quatro apoios, requisitando menos da inclinação lateral de tronco durante o deslocamento (como ainda fazem os peixes e os anfíbios*), porém requisitando mais dos membros.

 

Movimentação lateral de tronco durante a locomoção de um anfíbio da pesquisa de Ijspeert et al, “From Swimming to Walking with a Salamander Robot Driven by a Spinal Cord Model” publicada no periódico Science, 315: 1416-1420 em 2007.

 

Usar os membros para a locomoção trouxe uma tremenda vantagem, pois nossos ancestrais tornaram-se mais rápidos e mais aptos a responder aos estímulos do ambiente terrestre (muito mais abruptos em comparação aos estímulos no meio aquático). Desta forma os membros foram “aprovados” pela seleção natural e até hoje reciclamos tais movimentos de acordo com as necessidades humanas.

Porém quando fazemos mau uso dessa mecânica regredimos biomecanicamente, algo que na FBA chamamos de Aprisionamentos Biomecânicos. Quem nunca viu alguém com algum problema no ombro usando da inclinação do tronco para elevar o membro superior, comportamento muito comum em pacientes com ombro impactado e/ ou com tendinopatias de supraespinal (como nas imagens abaixo).

 

 

Entender como e por que este movimento evoluiu facilita o processo de reabilitação. Num primeiro momento trabalhar com o paciente em cadeia cinética fechada (quatro apoios) faz toda a diferença, pois coloca a articulação com desarranjo biomecânico na função que ela exerceu por milhões de anos (pelo menos 300) antes de ser libertada e antes de se tornar livre pela postura bípede humana (no máximo há 5 milhões de anos).

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Usar a Evolução para entender o movimento, a doença e a reabilitação é usar a lógica que a natureza utilizou para construir o movimento.

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